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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

IMPORTANTE DEPOIMENTO DE UMA MÃE WALDORF

Este é um depoimento que já foi postado aqui no blog como um comentário, mas que devido a sua importância julgo relevante destacá-lo. Agradeço a franqueza e coragem desta leitora.

Abraço fraterno
Ana Lúcia Machado


Olá a todos!

Meu filho integra o Jardim de uma escola Waldorf há 3 anos e estou encantada com esta pedagogia.

Ano que vem ele estará no primeiro ano do ensino fundamental e estou segura em mantê-lo em uma escola Waldorf.

Participo de um grupo de estudos de mães Waldorf e quando li “A Pedagogia Waldorf” de Rudolf Lanz pensei: “Oh Céus! É a escola que eu gostaria de ter cursado!”

Apesar do meu grande interesse e admiração, nesses poucos anos já percebi que a prática da PW pode esbarrar em falhas humanas que NÃO SÃO MAIORES DO QUE EM ESCOLAS NÃO-WALDORF, mas que são mais frustrantes porque ESPERAMOS MAIS de uma escola Waldorf .

A imagem que tenho em mente é: ao escolherem uma escola normal os pais MATRICULAM seus filhos em uma escola, e, ao escolherem uma escola Waldorf os pais ENTREGAM seus filhos à escola.

Não por lavarem as mãos e deixarem a educação da criança apenas a cargo da escola, mas por decidirem “nadar contra a maré” e investirem a educação formal de seus filhos a uma instituição que tem características diversas da maioria, que segue um currículo próprio sob muitos aspectos e que promete respeito à individualidade da criança e o ensino como forma de terapia.

Matrícula X Entrega - é uma grande diferença, que gera diferentes expectativas.

Então, não acredito em “forças adversas” como mencionou o professor Setzer, mas acredito em grandes frustrações decorrentes de grandes expectativas.

Por outro lado entendo o professor Setzer quando constata o cruel e difícil caminho da Antroposofia e da PW ao escrever que “nas iniciativas antroposóficas, não se pode permitir nada mal feito...”

Isso me parece um fato.

Mas somos todos humanos, INCLUSIVE OS PRATICANTES DA ANTROPOSOFIA E DA PEDAGOGIA WALDORF, então como negar a possibilidade de erros??????

Bem... minha humilde sugestão é: se a PW é um remédio aplicado dia-a-dia pelo professor (que é a figura-chave desta Pedagogia) e o professor é humano, não há como simplesmente dotá-lo de tanta autonomia, como se passível de erros não fosse – como se humano não fosse.

Temos que aprimorar (ou desenvolver) mecanismos de controle real do professor , priorizando o aluno e a proposta pedagógica e não o corporativismo.

Pais devem ter um canal muitas vezes sigiloso para que alguém de fora do conflito investigue um pouco do problema e saiba reunir as partes conduzindo-as a uma solução e não fazendo “acareações” que podem resultar em respingos no tratamento dado ao aluno em sala de aula.

Um dos debatedores (ou terá sido a autora de Clarear?) mencionou a necessidade de um aprimoramento geral da humanidade antes de dotar o professor de tanta autonomia. Eu concordo. Não chegamos lá ainda....

Quando meu filho entrou na Pedagogia Waldorf eu me apaixonei pela escola e pensei em ser Jardineira. Na verdade me imaginei sendo uma maravilhosa professora Waldorf. Hoje, depois de alguma auto-educação/reflexão, percebo tantas falhas em mim que não ousaria assumir uma classe. Tive uma educação muito firme e não entendo a “soltura” com que as crianças são criadas hoje em dia e, se pretendo ser uma professora Waldorf, preciso entender e trabalhar com a criança que existe hoje em sala de aula e não com o que eu imagino que deva ser uma criança em sala de aula.

 

Outra questão importante:
Tendo em vista as falhas a que nós humanos estamos sujeitos, me parece que ter um mesmo professor de classe por oito anos deva ser um projeto mais ligado ao futuro (com seres humanos mais auto-conscientes e auto-críticos) do que ao presente (salvo honrosas exceções)...

Já vi escolas W dando ao professor a possibilidade de seguir com a turma só até o 4º ano. Ou seja, o professor tem a oportunidade de auto-avaliar sua determinação em continuar.
É saudável para o professor. É saudável para a turma.

Quanto às críticas e elogios direcionados ao livro Clarear, gostaria de deixar também minhas humildes impressões.

O livro Clarear me ajudou. E me ajudou em diversos sentidos:

1º) vi que alguns dos meus receios sobre a prática da PW podem de fato ocorrer, e que não sou uma lunática procurando “chifres em cabeça de cavalo”. A PW é praticada por pessoas e, portanto, está sujeita a falhas. Então vamos tratar de diminuir as fendas através das quais tais falhas podem ocorrer??????

2º) me deu informações preciosas para que eu fique atenta e não deixe meu filho ter sua educação Waldorf prejudicada pelo erro de uma professora e/ou de um tutor. Eu quero muito que meus filhos desfrutem da PW!!!!!!!!!!! E agora tenho mais instrumentos e força para agir em caráter preventivo.

3º) em meus receios, eu achava que uma professora muito experiente na PW seria a melhor opção para que erros do professor fossem evitados e com isso eu enfrentava um grande problema: as duas escolas Waldorf onde posso matricular meu filho terão em 2012 professoras jovens e pouco experientes assumindo o 1º ano do fundamental. Ao ler Clarear percebi que talvez a motivação, a garra e o idealismo dos jovens seja melhor do que uma grande experiência desgastada pelo cansaço, falta de motivação e intolerância. Ou seja: estou convencida de que as jovens professoras - que são minha única opção, não devem me desanimar em manter meu filho numa EW, pelo contrário!!!!!!

Por outro lado, apesar de Clarear ter sido um livro positivo na minha relação com a PW (pois me municiou de informações para que eu saiba separar o bom do mau na prática da PW e assim sentir-me segura em continuar abraçando-a), concordo que:

1º) um trabalho que pretende “clarear” deveria sim fazer uma introdução sobre o que é a PW, pois sem meus filtros pessoais, advindos de meus estudos, eu teria ficado muito mal impressionada com a PW ao ler o livro - tanto assim que quando meu marido quis folhear o livro eu pedi que não o fizesse pois ele teria uma má impressão da PW num momento fundamental: a matrícula de nosso filho numa EW para cursar o fundamental;

2º) um trabalho que pretende “clarear” deveria sim mencionar alguns casos de sucesso da PW a fim de tirar o caráter de desabafo pessoal do trabalho e dar-lhe um caráter mais científico....

3º) um trabalho que pretende “clarear” deveria utilizar um título mais preciso, algo que deixasse clara a intenção de apresentar “casos equivocados de aplicação da Pedagogia Waldorf – um desserviço à Obra de Rudolf Steiner” e não um título que questione a PW em si, afinal, pelo que entendi do livro, a autora e outras depoentes são admiradoras da PW e/ou da Antroposofia.

Espero que a discussão sobre a melhora da prática Waldorf continue neste espaço. Isso me interessa muito.

Não conheço nenhum de vocês, mas pelo que li percebi que muito do que foi escrito no livro e no blog incomodou uns e outros. Ou melhor, ofendeu aos princípios e estudos de uns e de outros.

Os sentimentos advindos de tais ofensas são legítimos, mas, pelo bem geral, peço que façamos um exercício de perdoar as ofensas e de focarmos em idéias para a que a PW seja melhor praticada por todos.

Com esperanças de uma discussão frutífera,

E humildemente (pois não tenho títulos nem grandes experiências em PW nem em Antroposofia, sou apenas uma mãe em busca do melhor para seus filhos),

Egle M. T. Grecchi

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MAIS UM DEPOIMENTO DE UMA PROFESSORA WALDORF

Compartilho este precioso depoimento de uma Profª Waldorf que no exercício diário de  sua profissão é capaz de perceber a necessidade de renovação da prática pedagógica e da dinâmica do organismo escolar. Um olhar que merece atenção, reflexão e ação transformadora. Que não nos falte a coragem jamais.
Abraço fraterno
Ana Lúcia Machado


"Vejo a resenha do Dr. Valdemar Setzer como o primeiro passo de muitos que ainda vão acontecer no caminho de Clarear. Um movimento que pode vir a ser muito saudável, dependendo apenas de nós mesmos.
Temos que desconfiar de tudo onde há muita Simpatia ou Antipatia, temos que exercitar o pensar polar. Esses foram um dos meus primeiros ensinamentos na antroposofia.
Foram muito duras as colocações sobre o prefácio de Ruy César do Espírito Santo. Entendo que a mesma critica que se fez a ele; a falta de conhecimento suficiente da obra de Steiner; pode-se fazer de quem o fez sobre o próprio Ruy.
Meu encontro com o professor Ruy se deu no meu primeiro ano de faculdade de pedagogia, na Puc-sp. Ele continua sendo meu professor desde então, mesmo eu tendo graduado há alguns anos.
Não poderia eu aqui passar o Currículo lates do professor, mas posso falar algumas poucas coisas que sei. Ruy foi pai e avô Waldorf, tem hoje uma ou duas filhas atuantes na PW. É um grande semeador, e leva a PW em suas aulas, ele mostra a existência desta pedagogia para muitos futuros educadores, como uma possibilidade de se fazer melhor, de se fazer diferente, uma possibilidade de olhar o Ser Humano em nós e no outro, e mudar o mundo em que vivemos, de se fazer uma sociedade e uma pedagogia mais humana. Muitos destes futuros pedagogos despertam, procuram o seminário e se tornam professores Waldorf.
O conhecimento de Ruy é vasto, passando por muitos pensadores, e o mais lindo é a propriedade que ele tem da essência do Ser Humano. Ele não é, e nunca quis ser intitulado como grande conhecedor da pedagogia Waldorf ou da obra de Steiner, ele é um estudioso e um semeador do autoconhecimento, do despertar de consciência do Ser Humano. Ele leva isso com ele aonde ele vai, não se limitando a grupos, classes ou segmentos.
Certa vez fui ao encontro do professor Ruy, e pude com ele desabafar e contar o que estava acontecendo comigo, recém professora Waldorf. Neste dia ele me contou de Ana Lúcia, e me emprestou o “rascunho” do livro. Lembro-me de observarmos juntos, que mesmo dentro de um ambiente tão especial como o da PW, as pessoas estão dormentes.
Levei a apostila de Clarear para casa, e comecei a ler. Mesmo não conhecendo Ana, ou qualquer outro autor dos casos, tive a incrível sensação de ter vivenciado, presenciado ou escutado histórias semelhantes. Isso me deu a certeza de que esse era um livro para ler em nossas reuniões pedagógicas, e que a escola poderia crescer muito com ele.
Foi aí que entrei em contato com a Ana, que me recebeu com muito carinho. Nesta fase o livro ainda não estava editado, e a Ana ainda procurava quem pudesse fazer a introdução, a apresentação do livro. Ela estava procurando por quem pudesse ir além disso, orientar, direcionar o seu trabalho. Ela foi atrás de seus professores de formação, foi atrás de nomes respeitados por todos nós, e ninguém abriu o espaço que fosse para a discussão do tema. Os poucos feed backs que teve eram “entendo, vejo a questão, mas não quero me envolver”. E ninguém acolheu, ou viu a oportunidade de trabalhar as questões levantadas.
Uma pena não ter sido feito o contato com o Dr. Setzer, quem sabe essas questões não teriam tido outros encontros.
Como se pode debater essas questões se não há espaço para isso? Eu não sei dizer ao certo quantos anos demorou para Ana conseguir enfim editar o livro, mas foi bastante tempo. Tempo suficiente para haver manifestações de todos que entraram em contato com o livro.
Ruy César, interessado neste despertar viu, acredito eu, não uma situação isolada da PW, mas um problema da humanidade. Atualmente todas as escolas tem problemas, a educação em si é um caos, há muitos problemas nestas relações aluno /família /professor/ escola/ sociedade. Quantas pessoas poderiam ser despertadas com estes casos? Quantos professores poderão olhar para si mesmos e se identificar? Quantos orientadores, diretores de escola? Quantos pais podem perceber que podem sim fazer diferente? Ou simplesmente perceber que há lados diferentes nas questões, que podem perceber o outro?
Uma das perguntas que Ruy nos incentivaria a fazer é: Qual o sentindo disto? Cabe a cada um de nós se afastar das particularidades e tentar ver o todo.
Qual o sentido do livro Clarear?
Quais são as possibilidades que ele nos traz?
Depois disto, podemos voltar e ver as particularidades. É um exercício constante, e que do Dr. Setzer começou com sua resenha, já clareando e atingindo o objetivo do livro. Só obscurece àqueles que fecharem seus olhos.
É momento de não termos verdades aniquilantes, mas sim de olhar o outro, e juntos olharmos à todas as questões, mesmo aquelas que não julguemos pertinentes, pois estas podem ser muito esclarecedoras para outras pessoas. Isso sim é incluir".











quinta-feira, 3 de março de 2011

Reflexões sobre a palestra de Christopher Clouder

Quero expressar minha intenção ao postar logo no início deste blog a palestra do prof° Clouder. Após ter finalizado “Clarear”, encontrei-a no site da FEWB. Já na primeira leitura fui impactada e fiquei admirada ante a similaridade existente entre as idéias ali expostas e o conteúdo de “Clarear”.

Ao término da palestra, o prof° Clouder coloca que: “o mundo clama por novos caminhos e o grande desafio é trabalharmos juntos, com os diversos grupos”. As histórias relatadas em “Clarear” são um clamor por renovação e pela abertura para a troca com o mundo.

Bebi entusiasmaticamente cada palavra e idéia de Clouder, pois compreendo a urgência na leitura correta desta criança que se apresenta ao mundo nos dias de hoje.

Nas palavras do prof° Clouder, “temos que virar do avesso a aprendizagem através da experimentação do que o mundo está fazendo”. Ele cita como exemplo o trabalho de jovens de uma turma de 9° ano com a produção de um filme. Em uma entrevista à Folha Online em julho de 2010, ele diz que em outros países as escolas Waldorf já estão introduzindo o computador no ensino fundamental.

É certo que a flexibilidade está sendo uma qualidade muito desejada na prática pedagógica atual. Apesar da Pedagogia Waldorf propor um modelo diferenciado de escola, não está imune ao risco de cair na mesmice. Não devemos insistir em práticas que já se esgotaram em si mesmas e que aos olhos da criança já não tem sentido.

O caminho que se abre diante de nós para nos reinventarmos e darmos início a uma nova jornada é o do autoconhecimento e autoeducação. Clouder cita para minha surpresa e alegria, um de nossos maiores educadores, Paulo Freire, dizendo que somos seres inacabados, seres em transformação.

Pessoas que participaram do encontro com Clouder, contam que em sua passagem por São Paulo, ele visitou a Escola Casa Redonda, uma escola referência para aqueles que buscam um novo modelo de educação, que fica em Carapicuíba, fundada a 25 anos pela pedagoga Maria Amélia Pereira. Esta abertura para a troca com outras abordagens pedagógicas é fundamental rumo à busca de novas possibilidades, tão almejadas por nossas crianças.

Abraço,
Ana Lúcia Machado

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Onde está a liberdade?

Na semana passada estive na Editora Antroposófica apresentando o livro CLAREAR. Com o objetivo de ampliar os canais de distribuição dessa publicação, propus a disponibilização para venda na Livraria Antroposófica e deixei um exemplar para avaliação.

Hoje, mais de uma semana depois, fui comunicada que o livro não foi aceito para comercialização nesse local.

Quero manifestar meu desapontamento e indignação em relação a esse posicionamento, e deixar uma pergunta para pensarmos: Como fica a LIBERDADE tão apregoada e reverenciada por todos? Não há espaço para críticas construtivas? Só para elogios?

Sou apreciadora dos ditados populares por sua sabedoria e simplicidade,lembram-me muito minha querida avó. Um deles diz: "Esconder a sujeira debaixo do tapete não torna a casa limpa." Essa medida poderá até deixar a casa mais agradável, porém com o tempo a poeira e os ácaros tomarão conta do ambiente e comprometerão a saúde de seus moradores.

Que cada um faça suas reflexões a respeito.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Quando tudo dá errado - por Sandra Seabra Moreira

Este post é do blog http://sonhesustentavel.zip.net, da jornalista e pedagoga Sandra Seabra Moreira. Nele ela discorre de forma inspiradora sobre o exercício da maternidade. Fala sobre o significado do Seminário de Formação de Professores Waldorf em sua vida e sua experiência como mãe em uma escola Waldorf. Um texto rico e instigante que merece toda atenção.


Quando tudo dá errado

Clarear - A Pedagogia Waldorf em Debate, livro de Ana Lúcia Machado disponível no link (lá embaixo), me fez pensar muito. Há sempre muitas maneiras de se ver as coisas. Clarear traz visões e perguntas de pais que se viram em apuros e o blog de Ana Lúcia se propõe a debater todas as outras visões que surgirem a partir da leitura do livro. É uma iniciativa importante, justamente quando os pensadores da Pedagogia Waldorf alardeam a necessidade de diálogo com todas as demais gentes de boa vontade, independentemente da pedagogia que praticam, em favor de uma infância mais digna e feliz.

Mas não foi só o livro que me fez pensar muito. As notícias que nos chegam diariamente e a experiência pessoal me fazem recordar constantemente a impotência de professores e nossa - dos pais - diante das crianças e jovens. Ao longo de uns vinte e tantos anos, ouvi inúmeras vezes de professores - muitas mesmo, e na verdade, mais do que eu gostaria de ter ouvido - a seguinte frase: "Não sabemos o que fazer com o seu filho".

Mais ou menos eu soube o que fazer com os meus filhos: alimentar, abraçar, orientar, beijar, dar bronca, mandar fazer o dever, fazer o dever junto de vez em quando, conversar, às vezes ignorar, levar no cinema e na livraria, passear no parque e na casa da avó, rezar junto. Enfim, como mãe tudo funciona intuitivamente, ou pelo menos, deveria ser assim. Raras vezes, enquanto eram crianças, me senti impotente diante dos meus filhos. Mas tive de ceder muitas vezes, porque muitas vezes eles estavam com a razão. Na adolescência a situação muda um tanto. A casa vira um campo de batalha. E hoje me lembro de que, para cada sentimento de impotência que me assaltava, eu pensava: "isso não vai ficar assim". Às vezes ficava, às vezes não. Hoje em dia, ainda com filhos adolescentes, percebo que a experiência traz calma, mas não evita conflitos. A sensação de impotência é aliviada pela certeza de que, no final, tudo dá certo. Sim, eu sou otimista e isso ajuda muito, em tudo na vida.

Fui estudar a Pedagogia Waldorf. Para além da avaliação inevitável que se teima em fazer quando as teorias chegam depois da prática consumada, e até por essa teimosia em avaliar, o aprendizado foi imenso. Queria entender muitas coisas e, especialmente, queria saber o que era uma escola cristã. O assunto é vastíssimo e vou direto ao ponto:

Foi recentemente, em meados do ano, que ouvi de novo a frase: "Não sabemos o que fazer". É honesto posicionar-se dessa forma, se não sabem, não sabem, pensei. Porém, chegado o final do ano, a frase não foi: "Não soubemos o que fazer". Ao contrário, foi minha filha que não soube fazer. E eu, claro, errei em alguma coisa, certamente. Entendi, então, que havia algo errado também com essa postura humilde de "não saber o que fazer".

Em meio às questões que se assomam nos momentos de crise, me perguntei: "por que tudo deu errado?". Essa pergunta foi a chave para acessar a minha memória. Lembrei-me com perfeição de uma das incríveis aulas que assisti no curso de Pedagogia Waldorf. A mestra Luiza Lameirão falava a respeito das muitas dificuldades que o professor pode encontrar no caminho. Em dado momento, ela se reportou àquela situação em que o professor tem a sensação de já ter feito tudo, ter usado toda sua teoria, prática e experiência, e ainda assim, as coisas não dão certo com determinada criança. A sensação de verdadeira impotência a gerar desalento e desesperança. Ela comparou esse momento a uma profunda escuridão. Uma escuridão tão densa que provoca ou permite um ponto de virada, ou seja, a entrada da luz. Ao se sentir de mãos vazias, sem mais nada a oferecer, pode-se erguê-las ao mundo espiritual e pedir ajuda! Pode bem acontecer de as idéias surgirem, pode acontecer de toda a situação se inverter. A maioria de nós sabe que isso é possível.

Comecei a entender que não se trata de ter humildade e admitir que se está perdido. Entendi que se isso é fato, se se está perdido, não é para os pais, para a criança ou para os colegas de trabalho que se deve admitir. Mas principalmente para si mesmo. Para pais admitirem erros é até mais fácil, pois o amor para com os filhos impulsiona a transformação. Para professores, entretanto, é necessário mais do que humildade; talvez seja necessário um verdadeiro interesse, um sentimento que, infelizmente, facilmente torna-se vago e se perde em meio às metas, notas, "acordos". De resto, a frase que nos chega tão sincera - "não sabemos o que fazer" -é muito mais uma maneira de introduzir as más notícias do que propriamente um reconhecimento da incapacidade para lidar com a questão. Também não basta admitir que se precisa de ajuda de outros especialistas, porque talvez eles também não resolvam. Pior ainda é mostrar-se um profissional incapaz diante do aluno, o que raramente acontece, pois normalmente, na sala de aula, se evidencia muito mais a incapacidade do aluno do que a incapacidade do professor. Crianças e jovens que respeitam os professores dificilmente conseguem reverter essa situação.

É duro admitir o erro, esbarrar na escuridão. Por outro lado, ao se deparar com as próprias limitações e desassossego, ao se deparar com a própria incompetência, pode-se aperfeiçoar. Que incrível deve ser tornar-se um profissional bom o suficiente para se acercar daquela criança pela qual nada mais pode ser feito. Claro que não basta admitir. Conheço professores que estudam muito, recorrerem aos colegas mais experientes da própria escola ou de outras escolas que professam a mesma pedagogia, acreditam naquilo que os pais dizem do comportamento da criança ou jovem em casa, para conhecê-lo melhor. Acreditar. Talvez essa seja uma boa palavra. Acreditar nas pessoas ao redor, no belíssimo instrumental oferecido por Rudolf Steiner. E acreditar no mundo espiritual.

Eu poderia ter contribuído muito mais para a vida escolar dos meus filhos se os professores me ouvissem. E ouvir aqui é no sentido de acreditar e fazer uso das informações trazidas pelos pais. A maioria tem muito a contruibuir, para além das tarefas comunitárias e do trabalho de pagar escola, psicólogo, fono, massagista e terapeutas.

Imagino que essa é a grande diferença entre uma escola cristã e uma escola "normal". Entretanto, é muito difícil olhar para as próprias limitações. Por isso a pertinência de Clarear. E a disposição de muitos pais, ainda que já afastados das comunidades Waldorf, em debater. Jornada longa, mas imperdível.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Estamos a caminho

Este é um espaço de acolhimento, de compartilhar. Acolher o outro em sua dor, preocupação, decepção. Este é um espaço de discussão, troca de experiências boas ou ruins. Quem sabe juntos possamos descobrir um novo caminho? Agradeço a coragem e honestidade da ex-mãe Waldorf Cátia Benevenuto em seu comentário.

Em Clarear enfatizo a importância da obra do pedagogo europeu Heinz Zimmermann, "Forças que impulsionam a educação" por seu caráter contemporâneo e pela coragem do autor em desnudar as dificuldades e desafios do dia a dia do profissional da educação.

O comentário de Rosele Lima é muito pertinente: "Essa escola tem potencial". E o que se entende por potencial? "algo que precisa ser desenvolvido, não está pronto, pode ser mudado, melhorado".

Isso significa que estamos a caminho.
No livro de Zimmmermann isso fica muito claro. E fica claro também que temos que deixar para trás diretrizes convencionais e tradições desgastadas e ultrapassadas. E mais ainda, temos que nos abrir para o novo, fora do âmbito da comunidade Waldorf em aspectos comprovados de processos bem sucedidos em relação organizacional, na comunicação, no pedagógico.

Acho importantíssimo quando ele diz: "Precisamos ter a modéstia de reconhecer que ainda estamos no início do desenvolvimento da liberdade e, por isso, da formação de novas maneiras de trabalho conjunto. Isto vale para toda a Pedagogia Waldorf. As mais de 600 escolas existentes no mundo, o reconhecimento público, os 75 anos de fundação e de experiência não nos devem iludir quanto ao fato de estarmos bem no início e de termos um século de desenvolvimento futuro diante de nós.
O que podemos constatar muito nitidamente nos problemas do trabalho conjunto é o fato das diretrizes convencionais, ou forças quaisquer advindas da tradição estarem definidamente desgastadas. Só será produtivo e frutífero o que for empreendido pelos interessados a partir de iniciativa e conhecimento atuais. Também neste âmbito não deveríamos deixar de considerar conhecimentos não antroposóficos. Encontramos trabalhos excelentes de orientação prática sobre processos de comunicação e de organização social."

Em relação aos números acima citados devemos considerar que o livro foi editado em 1997.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Escola Waldorf pública

Recentemente por ocasião da tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, tomei conhecimento por meio de pedido de doações feitos pelo Dr. Darlan Schottz e pela Profª Talita Melone, que há duas escolas Waldorf que são públicas no município de Nova Friburgo: a Escola Comunitária Municipal do Vale de Luz, na área rural da cidade, e a Escola Municipal Cecília Meireles, na área urbana.

Tenho uma vaga lembrança, da época em que cursei o Seminário de Formação de Professores Waldorf, de um professor ter feito um comentário a respeito dessa escola.
Como conseguiram viabilizar essa escola pública? Por que essa iniciativa não se dissemina para outros estados brasileiros?

Afinal o impulso que originou a Escola Waldorf repousa sobre a classe operária. A Escola Waldorf nasceu com uma vocação social.

Temos em São Paulo o maravilhoso trabalho na Favela Monte Azul da educadora Ute Craemer, porém trata-se de um caso isolado aqui e acredito que não se classifique como escola pública e sim como uma ONG.

Por que após tanto tempo não se consegue expandir de maneira expressiva a Pedagogia Waldorf para além da classe burguesa?

Uma das preocupações apontadas em “Clarear” por pais de crianças de escolas Waldorf é em relação ao aspecto social. Eles questionam a escassez de crianças de camadas menos favorecidas em sala de aula e alertam para a necessidade de se trabalhar o olhar social dos alunos da elite que estão imersos num mundo de abastança, sem conhecer o que é privação sob nenhum aspecto. É preciso colocar na prática um currículo social verdadeiro.

Na palestra do prof° Christopher Clouder, já postada aqui, ele afirma que o propósito da Pedagogia Waldorf sempre foi o da atuação em escola pública e não particular.

Pois então, há um campo aberto e amplo de possibilidades de iniciativas e atuação.

O Dr. Darlan Schottz é diretor da Associação Crianças do Vale de Luz, mantenedora dessas escolas e é também médico escolar. A Profª Talita Melone trabalha na Escola Municipal Cecília Meireles.

Os interessados podem enviar doações para:
Banco Itaú
Agência 7672
Conta corrente 00409-5

Quem desejar um relato sobre a utilização da doação pode solicitar pelo email: acvluz@valedeluz.org.br

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um nome em destaque no cenário atual da Pedagogia Waldorf

Christopher Clouder é um nome que se destaca atualmente por seu discurso pontual e assertivo. Suas palavras procuram despertar escolas e educadores e arrancá-los de sua zona de conforto:

“Se a preocupação é com a criança, precisamos realizar a nossa própria mudança individual como educadores. (...) Mas não devemos ficar interessados só em nós mesmos. (...) Para trazer humanização ao mundo, temos que trabalhar juntos, o que permite criar novos caminhos. E isso as crianças irão herdar.”

Com essa postura, o dirigente da Federação das Escolas Waldorf do Reino Unido e Irlanda, Christopher Clouder, palestrou mês passado na sede da Sociedade Antroposófica. Atento às políticas públicas e às diversas culturas, o enfoque da palestra foi a necessidade de mudança de comportamento. Não da criança, mas do educador. O encontro aconteceu por ocasião de sua visita ao Brasil para abertura do seminário da Aliança pela Infância, movimento mundial do qual é um dos fundadores. Tanto de manhã como à tarde, a linguagem contextualizada e poética do professor Clouder precedeu à oficina dirigida pela professora Kundry, residente nos EUA, que apresentou histórias, música e gestos do universo infantil.

Já de início, o conselheiro das escolas waldorf dos países da União Européia demonstrou o engajamento social imprescindível a todos. “Precisamos ter como cerne a consciência do mundo atual e os problemas que as crianças enfrentam, esperançosos de que futuramente, como adultos, não cometam os erros das gerações anteriores.” Falou assim após frisar a alegria que as crianças trazem aos nossos corações. Foi como se ele chegasse à sala, abrisse a janela para entrar a luz daquele sábado, sorrisse em direção ao céu azul e estendesse então a visão ao mundo. “Se olhamos demais as flores esquecemos a realidade”, advertiu logo.

É voz corrente que o desafio histórico da humanidade está em conviver. No meio pedagógico, isso significa aprofundar a integração entre alunos, professores, pais, escolas, culturas, bairros, estados, nações... Mas não adianta ir tão longe, se não começar pelo auto-conhecimento. É o que aponta o professor Clouder: “O desafio não está somente em perceber o que a criança está vivendo, mas, em realizar a nossa auto-transformação.” Lamentavelmente, a humanidade não assimilou ainda as palavras de Sócrates ditas há 400 a.C. e tantas vezes repetidas por Rudolf Steiner: Conhece-te a ti mesmo.

Como alerta o professor Clouder, “não podemos mais fugir de nossa própria mudança”. Assim, iniciou a palestra com as palavras do médico e escritor polonês Janusz Korczak, referindo-se a ele como um dos maiores pedagogos do século passado. “Aprenda a conhecer a si mesmo antes de conhecer as crianças.” E são elas as colaboradoras desse processo ao tecerem perguntas à nossa individualidade, aponta o professor. “Cabe a nós trazer as novas respostas que não estavam sendo ditas antes.”

Korczak foi assassinado na câmara de gás junto com as duzentas crianças de seu orfanato. É homenageado nos dias de hoje por pessoas ilustres como a escritora Tatiana Belinky e o professor Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire, que escreveu um ensaio intitulado “Janusk Korczak, o Precursor dos Direitos da Criança”.

Nesse ensaio, Moacir Gadotti conta que Korczak, levado pela paixão à criança, retornou à infância numa aventura sem precedentes na história da pedagogia. Gadotti referia-se à obra “Quando eu Voltar a ser Criança”, uma espécie de diário, lançado em 1981 pela editora Summus. O primeiro livro de Korczak, escrito em 1901, chama-se “Crianças da Rua”. Em 86, a editora Paz e Terra publicou “Como Amar uma Criança” e a editora Perspectiva, “Diário do Gueto”. Pelos títulos de sua obra dá para ter uma noção a qual infância ele dedicou sua vida. Eram crianças pobres de um gueto judeu de Varsóvia.

É preciso ter como que um pressentimento dos mistérios da vida (R. Steiner)

A partir das palavras de Korczak, o professor Clouder aponta a luz no fim do túnel. A luz está com as crianças. Korczak disse que deve ser permitido à criança ser o que ela é, não basta amá-la, é preciso respeitar e compreendê-la. Num breve histórico, o professor Clouder mostrou que o respeito às crianças é um sonho nunca na história realizado. Mas como bom educador não perde o otimismo e chama a atenção para a urgência de nossa época em tornar esse sonho realidade. “C ada criança traz alguma novidade das regiões divinas. Nossa tarefa é remover os obstáculos, entre estes a injustiça, que impedem o espírito de penetrar com liberdade na vida. A pessoa desconhecida dentro de cada criança precisa se manifestar, porque ela é a esperança do futuro.”

C omo ouvir esse ser desconhecido? Aprofundando a criatividade viva nas crianças e em nós, é o que se pode sintetizar da fala do professor Clouder. Ele apontou a necessidade de o educador estar atento ao que chama de espaço vazio. De acordo com ele, é onde e quando o educador pode penetrar, com o sentimento, na expressão livre e autêntica da criança, que se manifesta de muitas formas, mas sobretudo através da fantasia e da imaginação. “A criança usa a imaginação naturalmente. E nós temos que aprender com elas, com o brincar, a enxergar o mundo imaginativamente, mas de forma consciente.”

Por que é através da criatividade que se pode ouvir profundamente a criança? As palavras de Rudolf Steiner são elucidativas. Ele disse que um grão de semente não se reduz ao que é visível ao olho, pois abrange de modo invisível toda a planta futura. De acordo com o seu pensamento, devemos usar de nossa sensibilidade, fantasia e sentimentos para compreender de forma viva que a semente ultrapassa o que os sentidos nos transmitem. “É preciso termos como que um pressentimento dos mistérios da existência”, disse Steiner.

Se a postura apontada por Steiner deve ser essa em relação à planta, qual não deve ser a nossa sensibilidade para “compreender de forma viva” o que a criança traz! Não se trata de um processo intelectual. Conforme explicou o professor Clouder, o intelecto está sempre na superfície, nunca penetra na realidade como a fantasia pode fazer. “Esta pode até nos levar para lugar errado, mas está sempre enraizada na realidade.”

O relatório para a Unesco, elaborado pela Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, com o título “Educação para século XXI - um Tesouro a Descobrir”, também aborda a necessidade de ouvir com mais atenção a criança. Esse trabalho, conhecido como relatório Jacques Delors. dá ênfase ao aprender e não ao ensinar. “Aprender a aprender”, escreveu a comissão que reuniu especialistas de várias correntes pedagógicas. Como observa o professor Clouder, aprender com a criança não são apenas palavras do movimento waldorf, estão sendo ditas por diferentes educadores no mundo.

O relatório também alerta para a urgência de se dar especial atenção à imaginação: “Num mundo em mudança, onde um dos principais motores parece ser a inovação tanto social como econômica, deve ser dada importância especial à imaginação e à criatividade. Claras manifestações da liberdade humana, elas podem vir a ser ameaçadas por uma certa estandardização dos comportamentos individuais”.

Movimento renova a linguagem e avança

Seguindo a explanação do senhor Clouder, repleta de idéias de artistas, escritores, educadores e sobretudo de poesia, muita poesia, é fácil concluir que para acompanhar as mudanças de nossa época há de se possuir pelo menos uma dose da coragem de um Picasso, da persistência de um Samuel Beckett e da dinâmica de Paulo Freire, exemplos citados pelo professor. Picasso pintava na tela um vermelho e depois o retirava. Beckett é autor da frase: falhou não importa, falhe novamente, falhe de uma forma melhor. Ele, que escreveu a peça Esperando Godot, explorou o lado escuro da alma humana para descobrir o luminoso. E o pernambucano Paulo Freire, com sua simplicidade, disse que nós somos seres em transformação, por definição inacabados. “Para que sejamos temos de nos tornar.”

Tornar-se mais tolerante com nossos próprios erros e os dos outros é o caminho para a renovação. Sobre isso o professor Clouder também falou e não poupou nem ele mesmo, usando mais uma vez o verbo na primeira pessoa do plural: “Nós temos que aceitar a incerteza da vida moderna e assumir nossos próprios fracassos, porque sem isso não haverá aprendizagem.” Lembrou as palavras de Rudolf Steiner quando disse que se nós tratamos a educação como arte, temos que lidar também com as coisas feias. “Assim como não há evolução progressiva porque há a involução, também não há somente beleza do lado social”, comparou.

“Cultivar simplesmente a beleza seria um vôo para fora da realidade. As crianças devem confrontar o belo e o feio, saber viver no mundo a sua volta e não num mundo ilusório. Para isso, temos que estabelecer algumas concessões.” Em outro momento da palestra ele citou que uma turma do nono ano de uma escola waldorf na Noruega está fazendo um filme. “Temos de virar do avesso a aprendizagem através da experimentação do que o mundo está fazendo. É o que as novas gerações estão pedindo. Aí eles vão poder encontrar um contraponto.”

A flexibilidade desse dirigente que busca abrir novas escolas na antiga União Soviética e atua junto a entidades públicas e privadas no sentido de impulsionar a pedagogia foi o que permitiu recentes avanços. O Banco Santander na Espanha o convidou ao lado de outros estudiosos de prestígio a elaborar um estudo sobre educação baseado no conceito de inteligência emocional, popularizado por Daniel Goleman e que foca habilidades no relacionamento humano. Segundo o professor, esse convite aconteceu porque viram as escolas waldorf aplicando isso na prática em sala de aula, mas com outros nomes.

Outra conquista aconteceu no Reino Unido, onde até recentemente a pedagogia waldorf não havia recebido nenhum apoio do governo, restringindo-se lamentavelmente aos que podem pagar. No entanto, o professor conta que o atual ministro da educação de lá reconheceu que a pedagogia waldorf pode contribuir e anunciou publicamente um financiamento para inseri-la em escolas públicas. O professor enfatizou que o propósito da educação waldorf sempre foi atuar em escola pública. “O impulso waldorf não é escola particular.” Explica que esta existe como exemplo de escola, mas temos que desenvolver métodos que possam ser utilizados em outras escolas.

Um desses métodos que podem ser levados ao jardim de infância e às turmas de primeiro ano de qualquer escola foi vivenciado pelo público presente à palestra através do workshop dirigido pela senhora Kundry. São histórias curtas e músicas criadas a partir da vivência infantil com a natureza. Esse trabalho é fruto de uma pesquisa realizada por Wilma Ellersiek, originalmente em alemão, que a professora Kundry traduziu para o inglês e espanhol. A professora Chantal do jardim de infância Colibri, dois dias antes da palestra, traduziu para o português as músicas e histórias apresentadas, procurando criar novas rimas.

Esse trabalho traz um conteúdo importante não só pelas imagens como pela movimentação. Como explicou a professora Chantal, é através do movimento que as crianças aprendem e se relacionam com o mundo. Sons aparentemente sem sentido para o adulto acompanham o movimento que a criança realiza. Além disso, também são importantes a repetição e a alternância de ritmo, ora lento, ora acelerado, onde estão intrínsecas a contração e expansão, o que traz um respirar saudável.

Ao final, repetindo as palavras de Rudolf Steiner, o professor Clouder enfatizou que se nós conseguirmos trabalhar juntos com a mesma base espiritual atingiremos a união das nações. Garante que ao darmos as mãos e ouvir, as barreiras vêm abaixo. “O mundo clama por novos caminhos e o grande desafio é trabalhar juntos, com os diversos grupos.” Para as escolas, ele propõe a interação com os pais a ponto de eles verem o que o professor não foi capaz de fazer. Aceitar opinião de estagiários. Realizar tutoria, isto é, visita em classe de outros professores para troca de críticas e experiência. “Por isso modéstia”, frisou.
(Reportagem de Simoni Balilú)
http://www.federacaoescolaswaldorf.org.br/artigos/artclouder.htm

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Clarear", um convite à reflexão sobre a prática da pedagogia Waldorf

"Clarear" é uma proposta de reflexão sobre a prática da pedagogia Waldorf. É a expressão real da experiência de crianças que vivenciaram o dia a dia em escolas Waldorf, e manifesta, por meio de perguntas dos pais, o desejo de renovação e transparência na proposta e na prática pedagógica.

Como diz o escritor e mestre em educação Ruy Cézar do Espírito Santo em seu prefácio, trata-se de uma obra de relevância para a educação.

"Clarear" busca conscientizar os educadores sobre a importância do trabalho constante de autoconhecimento e autoeducação, além de propor o diálogo com outras abordagens pedagógicas como uma forma de se renovar.

Nenhuma pedagogia é necessariamente boa por si só. São os educadores que a tornam boa ou ruim em sala de aula com os alunos.